quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A HISTORIA DO NEGRO NO CINEMA BRASILEIRO : ESTUDO DO CASO DE RUTH DE SOUZA


Resumo
No livro (Ruth de Souza, Estrela Negra por Maria Angela de Jesus) sobre a história da atriz Ruth  de Souza onde ela relata a história dela e o inicio do teatro no Brasil,(Teatro experimental do Negro) também os atores eram pintados de negro para fazer o papel da empregada, do serviçal em geral porque não podiam dar grande ênfase para a história do personagem negro.Grandes foram as conquistas dos atores negros que se juntaram para abrir o primeiro teatro do negro no Brasil. A partir desse ponto começa no Brasil a história dos atores negros. Suas conquistas seus fracassos e impossibilidade de atuar nos grandes teatros da época, fazendo com que montassem suas peças teatrais no espaço que eles usavam para ensaiar e com poucos recursos montavam os cenários. Estudar os resultados obtidos pelos atores negros na sétima arte considera-se importante porque eles fizeram e fazem parte da cultura brasileira. Por isso a importância de retratar sua produção e atuação na frente e por trás da câmera da produção cinematográfica nacional.Por tanto o estudo do caso de Ruth de Souza se faz tão importante para mostrar através dela essa história que esta contextualizada no cinema brasileiro.

Palavras Chaves:
 
Cinema brasileiro, cultura, sociedade, negros.

 
Introdução
 No cinema nacional os arquetipos de negros  são na maioria voltados para o comico.
O cinema brasileiro é pródigo nesse tipo, que reúne comicidade, simpatia, ingenuidade e infantilidade. Raramente, no entanto, é o personagem central. Em geral acompanha um branco, como uma espécie de contraponto.Pretos Velhos ,mártir, negro de alma branca, nobre selvagem, negro revoltado, negão, malandro favelado, crioulo doido, mulata boazuda,mãe preta.Ruth De Souza vem na contra mão de tudo isso  mostrando-se decidida a demonstrar todo o seu talento quando recebe seu personagem e interpreta-o.Ela Mostra seu caráter, seu temperamento, sua organização física, intelectual e moral.
 
 
Objetivos

  • Analisar a relação  do negro no cinema;
  • Analisar a influência do negro no cinema;
  • Analisar através de filmes o desenvolvimento dessa história   buscando  informaçães no âmbito do cinema brasileiro;
  • Identificar nesse estudo de caso como  desenvolveu-se a história do negro no cinema.
 
Materiais e Métodos
 
Para a realização do presente artigo, necessitou-se fazer um levantamento bibliográfico sobre o tema, bem como, analise filmica.O levantamento bibliográfico pautou-se na coleta de informações, onde buscou temáticas em volta do assunto abordado nesse artigo. As informações coletadas visaram analise filmica buscando informação do audiovisual. 

 Desenvolvimento
 O período silencioso no cinema brasileiro introduzido em 1898 por Affonso Segretto e chamada de a bela época do cinema brasileiro pela diversidade de produção, que do ponto de vista do negro conta muito pouco.Essa época do cinema mudo coincide  com o período das teorias racistas e poucos registros de negros em documentários.A invisibilidae do negro nos documentários nesse período silencioso não pode ser considerada insuficiente no cinema de ficção.
Do ponto de vista essencialmente imagético, nunca houve,exatamente racismo brasileiro, o negro estava lá de alguma forma impresso.Dessa época consta um fotograma do documentário - A Vida de João Cândido, o marinheiro realizado em 1912 com direção de Carlos Lambertini.
A vida de João Cândido , o marinheiro foi o primeiro filme censurado e proibido no Brasil por motivos politicos, talvez por ter sido o primeiro filme de ficção, no qual o negro apareceu como protagonista de sua própria história. Não se tem informação se os atores eram brancos ou pintados como em ‘O Nascimento de uma nação’ ( The Birth of a nation ou, originalmente, The Clansman) de David Llewelyn Wark Griffith (D. W. Griffith), No tempo do cinema mudo no Brasil os atores brancos eram pintados.Esse costume persistiu por algum tempo. No cinema verissimo exige negros verdadeiros, e assim surgem os primeiros atores profissionais, vindos dos palcos.
O filme de Griffith foi um divisor de águas, lançando revolucionárias técnicas para a linguagem cinematográfica do futuro, mas não teve relação direta com o tema da invisibilidade do negro na mídia brasileira inclusive no cinema.
Estudando o fato de que os preconceitos estéticos ligados ao biotipo de nossa população, não se sabe a que atribuir a diversidade cultural, existente em nosso cinema de ficção pela imagem do povo e do negro, em particular.
O cinema foi sempre popular , desde a escolha de seus story lines, sendo protagonizados por pessoas comuns, com uma adoção de casting sem preconceitos biotípicos ou raciais aparentes.
A pista desta solidariedade do cinema com a imagem do negro do Brasil, deve se aos europeus das colonias italianas do Rio de janeiro e São Paulo.A importância dos europeus na fundação de nosso cinema na arte de fazer filmes foi decisiva, inventando equipamentos, processos filmícos, dirigindo, cinegrafando ou atuando. Eles construiram aqui praticamente tudo que presisávamos para ter cinema brasileiroAs bases que formaram o nosso cinema, empreendedorismo, pitadas de Anarquismo, de Comunismo, Socialismo e, logo mais adiante, neo realismo, eis o que seriam as lentes abertas para a negritude em nossa cinematografia.
Por volta de 1940,foi criado pelo governo brasileiro o Dia da Raça, no qual se criava o conceito da fusão harmônica de três raças - brancos, negros e índios- com a intenção de difundir a imagem de que o país era habitado, principalmente, por brancos, com uma taxa mínima de negros e mestiços.Com isso a ditadura Vargas acionou o Departamento de Estado Americano e interrompeu o documentário Its all true, do cineasta Orson Welles  de 1942, que descrevia a saga de um grupo de jangadeiros liderados por um homem chamado ‘Jacaré’, do Ceará ao Rio de Janeiro, para denunciar ao governo brasileiro suas péssimas condições de vida.
Segundo o Departamento de propaganda do governo, Welles enfocava, demasiadamente em seu filme, os negros e a cultura afro-brasileira (no caso, nordestinos – cafusos para alguns - com a pele queimada de sol e favelados negros do Rio de Janeiro) em desacordo com os dogmas eugenistas da política oficial de 'boa vizinhança' ,em curso no âmbito das relações do país com os EUA, nos turbulentos anos que antecederam a segunda guerra mundial.Segundo o autor do livro O Negro Brasileiro e o cinema , João Carlos Rodrigues  enumerou 12 arquétipos ,disponíveis para os atores e atrizes negros do Brasil. Dos mais importantes: o preto velho, o mártir da escravidão, o nobre selvagem, o negro revoltado , o negro de alma branca, o crioulo doido, a musa negra , o ameaçador macho negro, a mulata sedutora.O filme Também somos irmãos, de José Carlos Burle com Grande Otelo, Aguinaldo Camargo, Agnaldo Rayol, Ruth de Souza e Jorge Dória, produzido pela companhia de cinema Atlântida em 1949, representava embora velados, alguns desses estereótipos.
Outros filmes emblemáticos - com ou sobre negros - aqui mesmo nesta série.  Assalto ao Trem Pagador de Roberto Farias, Ganga Zumba (1964) de Carlos Diegues, Compasso de espera, direção de Antunes Filho.  Bahia de todos os santos (1960), de Trigueirinho Neto, Sinhá Moça (1953), direção de Tom Payne e Osvaldo Sampaio, O amuleto de Ogum (1974) e A tenda dos milagres (1977) ambos dirigidos por Nelson Pereira dos Santos, além de Xica da Silva (1976) e Quilombo de 1984 (o mito de Ganga Zumba, também com a direção de Carlos Diegues,  com super produção neo-tropicalista) e o digno Chico Rei (1985), de Walter Lima Junior.Dois fatos saltam aos olhos diretamente ligados à história, aos dramas, e ao modo de ser dos negros do Brasil, esses filmes não foram  dirigidos por  diretores negros. Por esta prosaica razão, em todos eles,  os personagens negros são esquemáticos, estereotipados ou idealizados.
Cajado Filho (1912 - 1966), cenógrafo e roteirista de dezenas de filmes de sucesso, que dirigiu cinco longas metragens entre 1949 e 1958, todos infelizmente desaparecidos. Foi quase certamente o primeiro diretor negro do cinema brasileiro .
Temos também As Aventuras Amorosas de um padeiro, de Waldir Onofre  ,Alma no Olho, de Zózimo Bulbull (Jorge da Silva), além de títulos esparsos por aí, a maioria de cineastas negros iniciantes, unidos, recentemente pelo Centro Afro Carioca de Cinema, criado por Zózimo Bulbull e Biza Vianna que, a partir de referências seminais do cinema africano, do senegalês Ousmane Sémbene, do nigeriano Ola Balogun (que filmou no Brasil nos anos 80 A Deusa Negra’) e de Zezé Gamboa (prêmio do júri no Sundance Film Festival, em 2005), entre outros, todos reunidos num concorrido festival realizado no Cine Odeon (entre outros espaços), no Rio de Janeiro em novembro de 2007 e 2008, almejam quebrar o paradigma da ausência da alma negra no cinema do Brasil.
No contexto  televisivo do Brasil  30% das pessoas  estão em pleno gozo de seus direitos de renda e cidadania, gente que, até prova em contrário, é predominantemente branca.
Uma questão  social é o componente étnico, racial .Na mídia é difundida uma imagem nacional tão  falsa, calcada no perfil étnico dos brancos, tornando virtualmente invisível todos os,  70% restantes de não-brancos.
O aspecto perturbador do problema é o que se vê nesta mídia a maioria das pessoas comuns visíveis , os transeuntes flagrados por câmaras fotográficas ou de tv, dando entrevistas, são brancos. Nota se cada vez mais a ausencia dos negros nas telenovelas apesar de muitos atores estarem contratados pelas redes de tv brasileiras.

O que o estudo do cinema nos ensina que nossos atores negros entre duas a três gerações, com raras exceções sempre representaram eternos estereótipos.Tanto dos homens quanto as mulheres.Os atores negros de nossa teledramartugia quase nunca são em grupos , núcleos.
Os mecanismos que acionam essa invisibilidade dos atores poderia ter nascido com um acordo com os teledramaturgos, memorandos internos entre as emissoras, estrategia de comercialização, pesquisas de mercados.Esta é uma faceta cruel do racismo, a lei do silêncio,uma injustiça impossivel de ser interiramente identificada e compreendida, porque não pode ser atribuida diretamente à niguém.